Nossas crenças políticas

Sobre ressignificar nossa relação com este tema

O tema desta newsletter de hoje é política. Mas calma. Antes de você interromper a leitura porque não gosta ou não aguenta mais ouvir sobre isso, te convido a respirar e seguir me acompanhando aqui neste texto.

Antes de falar de política, vou falar de dinheiro.

Uma das coisas que precisei trabalhar muito na minha caminhada de autoconhecimento era a minha relação com o dinheiro. Eu vivia numa relação de muito conflito com ele e que me levava a altos e baixos o tempo todo. Eu ganhava o dinheiro e gastava com muita facilidade e durante um período passei por dificuldades financeiras. Fui observar isso e percebi que eu tinha muitas crenças sobre o dinheiro que me atrapalhavam.

Eu cresci ouvindo do meu pai que dinheiro não vinha fácil e da minha mãe que dinheiro era sujo. Toda vez que eu pegava no dinheiro, minha mãe me dizia que tinha que lavar as mãos. As minhas referências de pessoas ricas também não eram muito boas. E assim eu desenvolvi a crença de que pessoas ricas não são boas e de que o dinheiro corrompe.

Crenças são como programas instalados no nosso sistema. E estes programas rodam automaticamente, sem que a gente consiga controlar ligar ou desligar. E se essas eram as minhas crenças sobre o dinheiro, certamente eu tinha dificuldade de ter uma relação saudável. Toda vez que começava a ganhar mais dinheiro eu me sabotava, inconscientemente, para ficar sem, para não me tornar uma dessas pessoas e nem me corromper.

Tomar consciência dessas crenças me ajudou muito a ter uma vida financeira mais saudável e fazer as pazes com o dinheiro.

E o que essa história tem a ver com política?

Para mim tem tudo a ver. Porque as mesmas crenças que eu identifiquei na minha relação com o dinheiro, eu vi na minha relação com a política. Eu cresci escutando do meu pai que política era algo da qual a gente deveria se distanciar. Vi meus familiares e amigos brigando por política. Escutei de inúmeras pessoas que uma pessoa honesta na política não consegue fazer nada e ou se corrompe ou sai do jogo (e às vezes até pagando com a própria vida). Alguma semelhança com a história que contei logo acima?

Mas mais uma vez, conforme fui olhando para isso, descobri que eu também estava sendo dominado pelas minhas crenças (que talvez nem fossem minhas, mas nas quais eu acreditei e acabaram se tornando minhas também). E ao me aprofundar nos estudos e nas conversas sobre política, vi que não era bem assim.

Pude conhecer pessoas maravilhosas trabalhando com política. Vi pessoas que querem o bem e conseguem fazer. Vi que é uma dimensão de aprendizado maravilhosa e que tem mudanças que somente podem acontecer por meio de políticas públicas. Sendo necessária assim, a participação das pessoas conscientes.

Obviamente que não sou ingênuo de acreditar que tudo é lindo. Assim como existem pessoas ruins com dinheiro, existem pessoas que são corruptas na política.

Mas o convite que eu faço é para que cada um reflita sobre a sua relação e seu ranço com a política, para se libertar dessas amarras e começar a conhecer o mundo pela sua própria experiência. Ao invés de seguir acreditando em crenças que talvez não tenham sido suas.

Quanto mais pessoas se libertarem dessas crenças, mais pessoas boas podemos ter atuando na política e é disso que precisamos para transformar o Brasil.

Lembrando que fazer política ou falar sobre política não significa se candidatar ou se filiar a um partido. Existem muitas formas de participar e o mais legal é que cada um pode criar uma forma de se envolver em causas e atividades relacionadas ao bem comum, ou escolher algo que já existe. Pode ser abraçar uma das causas que toca seu coração.

Tem tanta coisa que eu gostaria de dizer sobre isso, mas para não me estender demais, fico por aqui.

Até semana que vem!

Gustavo Tanaka